Vivo na busca do que me maravilha; tempo onírico, sem hora certa.
Retalhos, cacos, penas, pedaços de madeira, fragmentos que foram uma totalidade.
Rede de imagens que alimentam minha emoção, meu horizonte estético.
Liberdade criativa, sonho, cuja forma não consigo antecipar.

A CRIAÇÃO DO MUNDO EM CAROLINA WHITAKER - por Cyro Del Nero
"....procurou o imperceptível para criar metáforas; cavou preciosidades sob nosso olhar distraído..."

Quem Sou




Sou artista.

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Básicamente, a orientação do olhar;  aprender que o maravilhoso pode estar em uma rodela pepino. O inusitado, as transparencias, surgidas na luz que as revelou; mundo mágico que me invade, absorve e espanta pelo mistério da sua natureza transformada naquilo que entendo como beleza.

A permanência dessa sensação que me invade, talvez seja um dos elementos fundamentais da minha expressão artística que se manifesta constante na minha vida, como a palavra se transforma pelo poeta, em poesia.
Aprendi a me encantar dominada pela força não só do que vejo,mas pelo que sinto, nas manifestações oníricas, não estando em vigília  .O difícil é que me sinto interiormente tocada mas nem sempre ou até, quase sempre, a arte me escapa. Mas enfim, a resultante imprevista da atividade artística, tem a característica de que cada obra produzida tem sua integridade única  .Esta resultante me espanta pois a sensação é que tem vida própria e independência.
Outra situação peculiar na minha vida é a interferência da música, que de certa forma, inicialmente achei que fosse meu caminho e o foi durante algum tempo.  Ainda hoje, ouvindo Satie, ou Ravel, ou Villa Lobos, enfim, ouvindo música, penso, "...quero me expressar assim, com minha arte"
Também ler, sempre foi ganhar chaves, que davam trilhas, pequenos indícios de caminhos a tomar.Ha muito tempo sigo rastros das minhas subjetividades, o que gerava certa ansiedade que se expressava nos meus trabalhos; não entendia e não conseguia reprimir essas atitudes até que tendo recebido um presente,  o livro de Michael Löwy - "A Estrela da Manhã -Surrealismo e Marxismo"  se transformou na chave que abriu em mim a consciência de  que sempre fora uma artista naturalmente Surrealista e o interessante é que essa manifestação era surpreendentemente ajustada ao Barroco como uma abertura cósmica nas minhas obras. Nessa identificação é que comecei a me ver numa atitude libertária e pela primeira vez senti que era uma artista socialmente engajada. Foi o momento, essencial para a maturidade do meu trabalho.
.Legitima  Löwy o que sempre senti: "... o Surrealismo não é, nunca foi e nunca será uma escola literária ou um grupo de artistas mas, propriamente um movimento de revolta do espírito,e uma tentativa eminentemente subversiva de re-encantamento do mundo.......a poesia, o amor louco ,a imaginação, a magia, o mito, o maravilhoso, o sonho, a revolta, a utopia..."
Curioso:  quase simultaneamente fui envolvida por Julio Cortázar;  um espanto!
Me vejo como um "cronópio" autentico. Minhas esculturas comprovam: A Mosca gigante em uma enorme pêra,  "Capitú", saindo de um jarro de água ou suco, mas de estola de pele de renard e olhar sedutor; Madame Modi, perfeito modelo para seu marido ;Amedeo, com longo pescoço feminino sobre uma peça de louça usada em postes de eletrecidade...Dragões , a Onça Caetana sem passado presente ou futuro - ela simplesmente É - e na sua natureza mulher e onça, vê a morte. numa viajem imaginária nas fantasias realistas de Ariano Suassuna, tragédia no sentido clássico, expressa por folhetins armoriais.
Em síntese, neste universo Surrealista Barroco, tenho trabalhado para expor estas obras numa forma em que mundos se entrecruzam, colidem, mas sob o fundamento da esperança e da solidariedade.