Vivo na busca do que me maravilha; tempo onírico, sem hora certa.
Retalhos, cacos, penas, pedaços de madeira, fragmentos que foram uma totalidade.
Rede de imagens que alimentam minha emoção, meu horizonte estético.
Liberdade criativa, sonho, cuja forma não consigo antecipar.

A CRIAÇÃO DO MUNDO EM CAROLINA WHITAKER - por Cyro Del Nero
"....procurou o imperceptível para criar metáforas; cavou preciosidades sob nosso olhar distraído..."

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Vaso francês

Este vaso francês, um original Vieux Paris como é conhecido, teve um par, o qual estava perfeito. Este, não; mas como dispensá-lo? Fragmentado, estimulou minha onírica pulsão e através dela, ele ganhou vidros, cristais, novas formas, cores, numa linguagem absolutamente Surrealista. Dependendo da iluminação e do por do sol, principalmente no outono, pois o vaso está bem na minha janela,seu ângulos produzem e projetam  as mágicas cores do prisma, aparecendo pequenos arco iris que surpreendem meu olhar e passeiam pela sala, dando uma suave alegria. Sua base é um arenito, cujas cores me surpreenderam, tanto como sua forma defeituosa no sentido tradicional do conceito de Barroco,numa beleza que se ajusta, à minha inspiração. A espontaneidade é uma característica essencial da criação artística.

Foto - Pedro Amora

terça-feira, 27 de maio de 2014

"ALMA DA ÁRVORE II ( -as coisas sempre encontram seus lugares)



Meu trabalho , até agora, não considerei como surrealista.  Me sinto mais à vontade, no apoio do poeta  Lezama Lima.
Entretanto, Michel lowy me surpreende no seu  livro “A ESTRELA DA MANHÔ, no qual, minha postura, naturalmente barroca, não encontrou desajeito; ao contrário, senti-me “em casa” e confortável.
Diz Lowy: “O Surrealismo não é, ....uma escola literária ou um grupo de artistas, mas propriamente um movimento de revolta do espírito e uma tentativa eminentemente subversiva de re-encantamento do mundo, isto é, restabelecer no coração da vida humana, os momentos “encantados”.......a poesia, a paixão, o amor louco, a imaginação, a magia, o mito, o maravilhoso, o sonho, a revolta, a utopia......”
 


Quando fiz a primeira "ALMA DA ÁRVORE"  senti uma grande emoção. Outra vez, o encontro com o Maravilhoso, que é aquilo que acontece por intervenção de forças interiores.. Olhando pelas janelas do meu atelier, dentro da Mata Atlântica e dos seus silêncios, seus bichos e pássaros, na verdade, o estranho é sempre o que vem de fora: buzinas; músicas "bate estaca" algumas palavras gritadas... Pois bem, a "ALMA" DA ÁRVORE, lá ficou, linda. Sou lenta, produzo muitas coisas ao mesmo tempo e deixo-as repousar,como um bom vinho na adega.. Um belo dia, os olhos abrem,  enxergam; e meu PÁSSARO AZUL pousou em seu ninho  na  Árvore.
Este trabalho agora, está pronto.

Foto -   Pedro Amora